31 julho 2015

10 evidências científicas intrigantes sobre histórias bíblicas


A Bíblia não é um livro de história, nem se destina a ser um. Como obra de instrução religiosa, está cheia de contos destinados a ensinar alguma coisa [nota do site hype science]. Porém, como muitas parábolas ou lendas, essas histórias bíblicas parecem ter algum fundamento na realidade – com foco no “algum” [As histórias bíblicas estão longe de serem lendas ou apenas contos do vigário, pois inúmeras descobertas arqueológicas têm feito da Bíblia um livro que merece respeito e credibilidade].

Equações físicas e achados arqueológicos indicam que certos trechos da Bíblia podem se referir a pessoas ou objetos verdadeiros, mas uma grande dose de interpretação é usada nesses casos [É verdade que nem sempre onde há fumaça há fogo, mas quando a fumaça é demais o fogo passa a ser indiscutível. Uma interpretação aqui e outra ali pode realmente ser nada mais do que interpretação, mas há centenas de descobertas que falam por si e que dispensam a interpretação evidenciando a narrativa bíblica] .

Veja intrigantes descobertas que, pelo menos, levantam dúvidas [ou que pelo menos nos levam a profunda reflexão]:

10. A física arca de Noé:


Em 2014, quatro estudantes de física da Universidade de Leicester (Reino Unido) testaram as instruções dadas no livro de Gênesis para construir a Arca de Noé. Eles queriam ver se a arca, de 300 cúbitos de comprimento, 50 de largura e 30 de altura, realmente flutuaria. Um cúbito é o comprimento da ponta do dedo médio de uma pessoa ao seu cotovelo, que os alunos padronizaram como cerca de 48 centímetros. Isso significa que a arca em si teria tido cerca de 145 metros de comprimento, 24 metros de largura e 14 metros de altura.

A Bíblia diz que a arca foi feita de madeira de Gofer, mas hoje ninguém sabe o que é isso. Uma suposição comum é que essa madeira era algum tipo de cipreste. Quando vazia, uma arca de cipreste pesaria aproximadamente 1,2 milhões de quilos. Quanto peso a arca poderia aguentar sem afundar? Supondo que o navio tinha a forma de uma caixa, o peso máximo que poderia deter era quase 51 milhões de quilos, equivalente a 2,1 milhões de ovinos.

Então, a arca poderia ter transportado dois de cada animal do mundo? Existem até oito milhões de espécies distintas hoje, mas a maioria poderia sobreviver a uma inundação sem precisar da arca. Além disso, os estudiosos bíblicos notam que o Gênesis refere-se a dois de cada “tipo criado”, o que provavelmente se refere a um número menor de animais do que cada espécie distinta. Assumindo que toda a vida aquática ficou no mar, os estudantes estimam que somente 35 mil pares de animais tiveram que ser colocados a bordo da arca, o que ela facilmente era capaz de aguentar. Para reduzir o espaço necessário dentro da arca, bebês ou espécimes jovens de grandes animais como elefantes poderiam ter sido usados.

[Estudos recentes indicam que a arca poderia conter mais de 70 mil animais]

9. O poder de Jezabel:


Jezabel, a mulher mais perversa da Bíblia, é mencionada em várias passagens. No século IX aC, ela se casou com o rei Acabe de Israel, mesmo sendo uma fenícia que adorava a divindade Baal. De acordo com a Bíblia, em uma passagem, a rainha Jezabel forja o selo de Acabe em documentos para persuadir os israelitas a aceitar sua religião, o que a fez ser jogada de uma janela para ser comida por cães.

Os historiadores há muito tempo se perguntam se a rainha Jezabel tinha influência independente da autoridade de Acabe. Em outras palavras, será que ela realmente poderia ser tão ruim quanto parece na Bíblia? A resposta pode estar em um selo de pedra descoberto em Israel em 1964.

A iconografia do selo inclui duas cobras, um falcão Hórus e um disco solar alado, que a estudiosa do Antigo Testamento Marjo Korpel interpreta como sugerindo uma ligação à realeza. Além disso, uma flor de lótus e uma esfinge com uma cabeça de mulher e uma coroa implica que o selo foi usado por uma rainha. Se o selo pertenceu a Jezabel, isso significa que ela tinha seu próprio poder político considerável.

Os arqueólogos inicialmente tiveram problemas em conectar o selo à rainha Jezabel. As letras gravadas na pedra eram confusas. Seu nome parecia grafado incorretamente. No entanto, quando comparado a outros de seu tempo, notou-se que a borda superior do selo estava faltando, que provavelmente continha as duas letras que faltavam para soletrar o nome de Jezabel corretamente em hebraico antigo.

Alguns problemas ainda restam, no entanto. Como o selo não foi encontrado por arqueólogos, mas simplesmente apareceu no mercado de antiguidades de Israel, isso complica a identificação de suas origens, mesmo que não seja algo incomum (apenas 10% dos selos judaicos antigos são descobertos em escavações científicas). 

Além disso, especialistas como Christopher Rollston observam que a parte que falta do selo é grande o suficiente para sugerir, pelo menos, cinco letras a mais, e não apenas duas. As letras que faltam poderiam formar qualquer número de nomes ou palavras diferentes. Em última análise, nós provavelmente nunca saberemos a origem do selo com certeza, embora possamos dizer que ele pertencia a uma mulher muito poderosa.

[Ler mais sobre esse assunto aqui]

8. O Sumo Sacerdote Judeu caifás:


Aparecendo nos evangelhos do Novo Testamento de João, Mateus, Lucas e Atos, Caifás foi o sumo sacerdote de Israel que presidiu o julgamento de Jesus antes de entregá-lo para o governador romano Pôncio Pilatos para crucificação. (Aliás, existe uma pedra Pilatos que é uma evidência física de que Pôncio Pilatos realmente existiu.)

[Veja matéria sobre a pedra que confirma a história de Pôncio Pilatos]

Em 1990, trabalhadores de uma estrada em Jerusalém tropeçaram em uma caverna antiga contendo 12 caixas de calcário com ossos de mortos. Um desses ossuários, particularmente ornamentado, estava inscrito “Joseph, filho de Caifás”. Esse nome é próximo do historiador judeu do primeiro século Flavius Josephus, que se referiu a Caifás como “Joseph, que se chamava Caifás do sumo sacerdócio”.

O ossuário elaboradamente decorado continha os ossos de um homem de 60 anos de idade, aproximadamente a idade de Caifás quando morreu. Os arqueólogos também observaram que a escrita nas caixas e na parede da caverna era uma linguagem usada pelos trabalhadores de cemitérios no primeiro século. Um dos ossuários continha uma moeda de bronze de 43 dC, mais uma prova de que os ossuários foram colocados na caverna durante o primeiro século depois de Cristo.

Dito isso, o achado é controverso. Arqueólogos céticos notam que o ossuário não é tão “chique” quanto se esperaria do lugar de enterro de um sumo sacerdote. E enquanto outros judeus ricos da época tinham seus ossuários delicadamente inscritos, a escrita no de Caifás parece ter sido grosseiramente riscada com um prego. Além disso, alguns linguistas têm argumentado que o nome hebraico no túmulo não tem sílabas o suficiente para ser a origem do grego “Caifás”, e teria realmente soado mais como “Qopha.” Outros rejeitam esta observação afirmando que os gregos costumavam acrescentar sílabas extras para nomes estrangeiros confusos.

O ossuário está agora no Museu de Israel em Jerusalém, embora os ossos tenham sido enterrados no Monte das Oliveiras. Em 2008, outro ossuário foi descoberto em Israel e identificado como pertencente à filha de Caifás. Ele é gravado com as palavras: “Miriam filha de Yeshua, filho de Caifás. Sacerdotes (de) Ma’aziah de Inri Beth”.

7. A piscina de Siloé:


O Evangelho segundo João conta a história de quando Jesus restaurou a visão de um cego colocando argila em seus olhos e lavando-os com água da Piscina de Siloé. A piscina foi um grande reservatório em Jerusalém durante o Antigo Testamento, mas foi destruída por invasores vários séculos antes de Jesus nascer. Mais tarde, foi reconstruída em várias ocasiões, mas não havia nenhuma menção de uma versão da piscina no primeiro século.
Em 2004, trabalhadores que tentavam reparar uma linha de esgoto danificada descobriram dois degraus que levavam até uma piscina. Arqueólogos rapidamente escavaram o local e encontraram uma piscina em formato de trapézio de cerca de 69 metros de comprimento. Eles também encontraram moedas e cerâmica que datavam o local em torno da época de Jesus. Em particular, quatro moedas Alexander Janeu estavam enterradas no gesso sob a fachada de pedra da piscina. Janeu governou Jerusalém de 103 aC a 76 aC.

Em um canto da piscina, os arqueólogos ainda descobriram cerca de 12 moedas no lodo datadas de 66 dC a 70 dC, indicando que a piscina estava pelo menos parcialmente preenchida nessa época. Juntos, os dois grupos de moedas dão uma estimativa de por quanto tempo a piscina foi utilizada.

O local pode ter sido usado para banhos rituais, natação ou fornecimento de água potável para os moradores da cidade. Algumas pessoas acreditam que os judeus ritualmente submergiam-se nessa piscina quando faziam suas peregrinações para Jerusalém e, como Jesus teria feito essas peregrinações também, faz sentido que tenha estado na área.
 

[Leia mais sobre o tanque de Siloé]

6. Possível casa onde Jesus nasceu:


Embora algumas pessoas argumentem que Jesus nunca existiu, os estudiosos mais sérios acreditam que o Jesus histórico nasceu por volta de 4 aC e foi educado na fé judaica em Nazaré. E o arqueólogo Ken Dark acredita que encontrou uma casa nazarena do primeiro século em que Jesus pode ter vivido quando criança.

Na década de 1880, freiras descobriram pela primeira vez esta estrutura de argamassa e pedra construída em uma encosta. Artefatos encontrados no interior da casa sugerem que era a residência de uma família judia. Por exemplo, panelas de pedra calcária teriam sido usadas pelos judeus por que se acreditava que o material era particularmente puro. Dark também citou um texto escocês do século VI descrevendo uma peregrinação à Terra Santa e incluindo uma parada em uma igreja em Nazaré “onde antes havia a casa em que o Senhor passou sua infância”.

Essa referência parece correta. Embora a casa tenha sido abandonada durante o primeiro século dC, Dark afirma que foi identificada como a casa de Jesus durante o período bizantino, quando foi decorada com mosaicos. Os bizantinos também construíram uma igreja sobre o local, para protegê-lo. Mesmo assim, a casa foi incendiada no século 13.

Dark se esforça para notar que não sabemos se a casa, na verdade, pertencia a Jesus, só que os bizantinos acreditavam que pertencia. Também, outros arqueólogos acham que Dark tem “necessidade de localizar tudo mencionado nas Sagradas Escrituras”, o que leva a fazer alegações precipitadas. Por fim, existem algumas outras questões ainda não respondidas. Por exemplo, por que a única menção desse lugar é em uma carta escocesa obscura? [Se a casa é ou não o local onde Jesus cresceu, de fato é difícil saber, mas de um fato até os mais céticos não duvidam, Jesus foi um personagem real] 


5. Muro do Rei Salomão:


No Primeiro Livro dos Reis, nos é dito que o rei Salomão construiu um muro em torno de Jerusalém. No início de 2010, a arqueóloga Eilat Mazar anunciou a descoberta de um muro, juntamente com outras estruturas defensivas, que parecem datar dos tempos de Salomão no século 10 aC.

A parede tem cerca de 70 metros de comprimento e 6 de altura. Está localizada em Jerusalém e abrange o que teria sido a Cidade de David (agora o bairro árabe de Silwan) e o Monte do Templo. A equipe de Mazar escavou partes de outras estruturas defensivas nessa área, incluindo uma torre de guarda e uma portaria que acessava a parte real da cidade. Mazar acredita que só o rei Davi ou seu filho, o rei Salomão, poderiam ter construído tal estrutura naquele momento. Cacos de grandes jarros de cerâmica descobertos no local o datam do final do século 10 aC, o que poderia colocá-los na época de Salomão. Além disso, um dos frascos de armazenamento tinha uma inscrição que apontava sua propriedade por um funcionário hebreu de alto escalão. 
O arqueólogo Israel Finkelstein reconheceu que era possível que Salomão tivesse construído o muro, mas afirmou que há riscos na utilização de textos religiosos para identificar locais históricos. “Há a questão de quando foi escrito, 300 anos depois, ou no momento dos acontecimentos? Quais são suas metas e sua ideologia? Por que foi escrito?”, disse em entrevista à National Geographic. 


4. O poder das minas de cobre:


Na Bíblia, o rei Davi lutou contra os edomitas. Muitos estudiosos acreditam que o conflito bíblico foi exagerado porque Edom e Israel antigo (ou Judá) não estavam suficientemente desenvolvidos para montar grandes exércitos. Eles veem Davi mais como um chefe tribal do que um rei.

Porém, em 1997, arqueólogos explorando as terras baixas de Edom, no que é hoje o sul da Jordânia, encontraram evidências de uma sociedade mais complexa que incidiu sobre a mineração de cobre e poderio militar. Ao concentrar os seus esforços em Khirbat en-Nahas (que significa “ruínas de cobre”, em árabe), estes arqueólogos concluíram que a sociedade não era apenas de pastoreio. Se os estudiosos tivessem olhado antes para as terras baixas, teriam encontrado locais de mineração de cobre.
Baseado na idade da cerâmica nestes locais, os cientistas creem que eles operaram mais fortemente em torno da época do rei Salomão. Os arqueólogos também encontraram uma grande fortaleza da Idade do Ferro. A datação por radiocarbono coloca a região no século 10 aC, aproximadamente contemporâneo com os reinados de Davi e Salomão na Bíblia.

É possível que a produção de cobre significativa (sem um propósito militar, mas com uma sociedade complexa) tenha ocorrido no século 12 aC ou mesmo antes na área. Isso dá credibilidade a Gênesis 36:31, que se refere a reis em Edom antes de existirem reis em Israel. A Bíblia também diz que o Rei Salomão foi escolhido por Deus para construir o primeiro templo em Jerusalém usando centenas de toneladas de cobre. Entre as minas de Edom e outros locais de cobre datando do século 10 aC, é possível que Salomão tivesse acesso a produção suficiente para construir um templo.
A Bíblia também fala sobre um rei egípcio chamado Sisaque, que invadiu a área cinco anos após a morte de Salomão. Recentemente, um amuleto egípcio inscrito com o nome do faraó Shesonq I (também conhecido como “Sisaque”) foi encontrado em uma mina de cobre chamada Khirbat Hamra Ifdan. Os arqueólogos acreditam que esta pode ser uma evidência das façanhas militares de Sheshonq I interrompendo a produção de cobre edomita no século 10 aC.

3. Muro de Jeremias:


Nós já falamos sobre o muro de Salomão ao redor de Jerusalém. Mas a cidade e seus habitantes tiveram uma história tão tumultuada que suas paredes mudam frequentemente para espelhá-la.

Segundo a Bíblia, no século VI aC, a Babilônia conquistou o Reino de Judá e mandou os judeus para o exílio, que continuou até a Pérsia derrotar a Babilônia e permitir que os judeus voltassem para Jerusalém. Escrito na primeira pessoa, o Livro de Neemias conta a história de como Neemias mobilizou os judeus para reconstruir os muros e as portas de Jerusalém em apenas 52 dias.

Em 2007, Eilat Mazar revelou que sua equipe tinha descoberto um muro de 5 metros de largura que podia ser de Neemias, enquanto escavavam o que acreditavam ser o palácio do rei Davi na antiga Cidade de David. Quando uma torre de pedra nas proximidades começou a desmoronar, os arqueólogos falharam em repará-la, mas acabaram encontrando nela cerâmica, selos e outros artefatos que datam do sexto e quinto séculos aC.
Quando não encontraram cerâmica de um período anterior, concluíram que a torre foi construída em torno do mesmo tempo que Neemias reconstruiu a muralha de Jerusalém. Alguns dos nomes sobre os artefatos são nomes encontrados na Bíblia.

2. Cidadela da primavera ou do Rei Davi:


Como parte de uma escavação de quase 20 anos na Cidade de David, arqueólogos anunciaram em 2014 a descoberta da “Cidadela da Primavera”, uma enorme fortaleza do século 18 aC que protegia a Fonte de Giom dos invasores nos tempos antigos.

Suas paredes tinham 7 metros de espessura, permitindo apenas o acesso à fonte de dentro da cidade. “A fim de proteger a fonte de água, eles construíram não só a torre, mas também uma passagem fortificada “, disse o arqueólogo G. Uziel. “Esta estrutura muito impressionante foi operante até o final da Idade do Ferro, e foi só quando o Primeiro Templo foi destruído que a fortaleza caiu em ruínas e deixou de ser utilizada”.

Os pesquisadores acreditam que a cidadela é a fortaleza que foi conquistada pelo rei David em 2 Samuel 5: 6-7. Ela serviu então para proteger a Fonte de Giom onde Salomão foi ungido rei de Israel em 1 Reis 1: 32-34. 

1. Possível cidade natal de Golias:


Os arqueólogos acreditam ter encontrado a cidade natal de Golias, Gath, uma cidade filisteia entre Ashkelon e Jerusalém que é mencionada em 1 Samuel 06:17. Durante a escavação, os pesquisadores descobriram um altar de pedra de 3.000 anos com chifres em excelente estado, semelhantes aos descritos nos livros dos Reis e Êxodos. No entanto, o altar dos filisteus tem dois chifres, enquanto os altares bíblicos têm quatro.

Os filisteus são vilões bíblicos que viviam em torno de Gath durante os séculos 10 e 9 aC, a era de Davi e Salomão. Aspectos da cultura filisteia parecem ter sido descritos com precisão na Bíblia. Por exemplo, os arqueólogos encontraram uma estrutura maciça com dois pilares semelhante ao templo filisteu da história de Sansão. Eles também descobriram fragmentos de cerâmica com nomes inscritos que são semelhantes ao nome Golias, de origem indo-europeia. Os israelitas e cananeus locais não teriam usado esse nome, mas, obviamente, os filisteus sim.

Isso é consistente com outros achados que revelam que os filisteus mantiveram parte de sua cultura histórica, enquanto abraçaram um pouco da cultura local. Por exemplo, eles comiam cães e porcos, animais considerados impuros na cultura judaica. Eles também continuaram a adorar seus próprios deuses.
Embora a escavação tenha apresentado elementos que podem indicar batalhas violentas entre os reis de Jerusalém e os filisteus, os arqueólogos também encontraram indícios de destruição de Gath por um exército invasor no século IX aC, semelhante à história da conquista da cidade pelo rei Hazael, no Livro dos Reis.

O Remanescente e a Cultura Pós-Moderna


Após minha ordenação ao ministério, esperei ansioso o primeiro batismo que eu oficiaria. A oportunidade chegou: batizaria uma jovem que aceitara a verdade bíblica. No dia da cerimônia, concluído o sermão, saí para colocar o caça-marreco, macacão de borracha impermeável vestido por baixo da beca batismal. Dentro do tanque, senti a temperatura da água, embora não me molhasse. “Isso funciona mesmo!”, pensei. No fim da cerimônia, quase não precisei usar a toalha, porque meu corpo estava apenas levemente úmido.
Estar na água sem ter contato direto com ela: isso faz recordar a oração de Jesus antes de ser preso: “Eu lhes tenho dado a Tua palavra, e o mundo os odiou, porque eles não são do mundo, como também Eu não sou. Não peço que os tires do mundo, e sim que os guardes do mal. Eles não são do mundo, como também Eu não sou. Santifica-os na verdade; a Tua palavra é a verdade” (João 17:14-17). De acordo com Jesus, Seus discípulos não são do mundo, mas estão no mundo. Estão cercados pela cultura, com elementos contrários ao evangelho, mas sem imergir nela. A verdade tornaria os discípulos impermeáveis aos erros da cultura ao redor.
Desafio da cultura
Cultura é um termo bem amplo. [1] De modo geral, inclui costumes, língua, tradições, história e modo de viver de um povo. A cultura se assemelha a um tapete, composto de fios diversos, formando uma peça única com determinada estampa. [2] Em verdade, a cultura não é autônoma, mas é o que fazemos dela. A maneira pela qual interagimos com a cultura define nossa atuação como cristãos – a começar pela interpretação do que significa ser cristão e pela leitura da época na qual estamos inseridos. E o que dizer da cultura ocidental no século 21?
As mudanças filosóficas e culturais levaram a sociedade ocidental ao período conhecido como pós-modernidade. Ele norteia os debates acadêmicos das universidades, mas afeta igualmente a cultura popular. Se o desafio dos cristãos é estar no mundo, sem pertencer a ele, devemos entender o que é a pós-modernidade. Afinal, temos que interagir com a cultura pós-moderna com o objetivo de testemunhar para as pessoas dessa época. Contudo, ainda devemos ficar impermeáveis, protegidos pela verdade que santifica.
Cultura pós-moderna
O pensamento pós-modernista é influente na atualidade, sobretudo sobre as gerações mais novas. Ele nega o racionalismo autoconfiante do período anterior, a modernidade. A mente pós-moderna desistiu de buscar a verdade absoluta. Vale agora a verdade útil, que funcione e traga satisfação em nível individual. A isso chamamos de relativismo, ideia segundo a qual a verdade depende da perspectiva de quem a examina, variando conforme as circunstâncias. [3]
O pós-modernismo defende que não há critérios morais válidos para todos os contextos. [4] Assim, somos simplesmente o produto de determinadas condições históricas e culturais além de nosso controle. [5] Para medirmos o alcance do relativismo, o filósofo cristão Paul Copan cita uma pesquisa do Instituto Barna Group, realizada em 2002: 83% dos adolescentes americanos dizem que a moral depende das circunstâncias e 75% dos adultos abraçam o relativismo moral. [6]
Sendo que não há verdade objetiva, cada tradição intelectual ou religiosa encara a verdade de forma diferenciada, não sendo melhor nem pior do que outras verdades. Diz o filósofo ateu Richard Rorty: “Tudo de que precisamos é abandonar a ideia de que deveríamos tentar encontrar uma forma de fazer tudo permanecer unido, que fale aos seres humanos o que fazer com a vida deles, dizendo a todos a mesma coisa”. [7] Em vez de defender o que cremos como verdade, os pós-modernos exigem que sejamos tolerantes.
Talvez haja poucas palavras tão evocadas atualmente quanto tolerância. É correto afirmar que “tolerância se tornou parte da ‘estrutura de plausibilidade ocidental’”. [8] Antes, tolerância implicava resignar-se perante divergências de natureza ideológica ou de mera opinião. Agora, tolerância implica minar as próprias divergências. Qualquer ideologia ou opinião não mais é considerada superior às outras. Em tempos do politicamente correto, toda afirmação dogmática pode ser avaliada imediatamente como intolerante. A persuasão religiosa é vista com ressalvas e considerada potencialmente perigosa. Afinal, forçar o outro a crer não significaria imposição? Se todas as religiões fizessem isso, não veríamos conflitos religiosos?
Dentro dessa perspectiva dinâmica, mudar de opinião, segundo a conveniência, é usual – as pessoas trocam de marca de roupa e de religião sem nenhum peso na consciência. O importante é ter muitas opções de escolha e experimentar sempre, para escolher do seu jeito (não por acaso, o consumismo é um dos traços mais fortes do comportamento pós-moderno).
A pós-modernidade vem chamando a atenção dos cristãos. Alguns até se declaram pós-modernos, adaptados às demandas da época. Falta saber qual é o impacto da pós-modernidade sobre o movimento adventista. Como as noções pós-modernas afetam sua identidade e a alegação de que somos o povo remanescente?
Cansados da cultura do remanescente?
O adventismo é um movimento cristão singular, que surgiu do cumprimento das profecias e com o propósito de ser usado por Deus para testemunhar à cultura sobre o plano de salvação expresso na Bíblia e detalhado nas profecias. [9] A justificativa de sua existência é “viver e apresentar seu projeto teológico alternativo, com base na Bíblia, a todo o mundo”. [10] Há clara identificação do adventismo com o remanescente de Apocalipse 12, uma entidade visível formada por pessoas com uma mensagem mundial. [11]
Na essência do adventismo está a doutrina do grande conflito cósmico, que serve de “pano de fundo dentro do qual se desenvolve o plano para salvar o ser humano”. [12] A salvação anunciada “é mais do que salvação pessoal” – implica a restauração dos homens e da própria criação. [13]
Essa autocompreensão adventista é posta em xeque pela pós-modernidade. O teólogo Alberto Timm reconhece que denominações cristãs “de tempos em tempos se inclinam a substituir os ensinos da Bíblia pelos componentes antibíblicos da cultura contemporânea”. [14] Como isso ocorre em relação ao adventismo? “O adventismo se seculariza ao adaptar seu pensamento e conduta aos padrões do mundo, este mundo que está mais distante do Deus da Bíblia do que o mundo do século 19 estava dos pioneiros adventistas.” [15 ]
Um estudo recente, divulgado em outubro de 2013, confirma a pressão vinda das “águas” da cultura: intitulado “Twenty-first century seventh-day adventist connection study”, o estudo parte de cinco projetos integrados, apresenta o resultado de 41 mil entrevistas ao redor do mundo, tornando-se a mais abrangente pesquisa desse tipo realizada com adventistas. Entre as doutrinas adventistas mais rejeitadas, estão as que figuram como as mais distintivas: casamento entre homem e mulher; santuário no Antigo Testamento como modelo do santuário celestial; criação em seis dias em um passado recente; dom de profecia em Ellen G. White; juízo pré-advento; crença de que somos o remanescente da profecia, etc. [16] Dizer que alguém queira se batizar por ter aceitado a verdade é inconcebível na cultura pós-moderna – até para certos adventistas!
Pelo que tudo indica, muitos adventistas renunciam claros ensinamentos bíblicos da igreja devido à influência da cultura pós-moderna. Certo jovem adventista fez o seguinte comentário em meu blog: “É preciso buscar um caminho novo, e não voltar ao antigo que nos trouxe até aqui. Um adventismo mais honesto e autêntico, que admita sua busca e repudie a noção de que temos quase toda ou mesmo enorme parte da verdade.” Infelizmente, o ato de recorrer à cultura tem gerado polarização entre os adventistas e não união nem avanço missionário (como as pesquisas mostram). [17]
Remar contra a cultura secular
Embora muitos líderes cristãos se regozijem com a abertura da pós-modernidade às crenças, o tipo de espiritualidade atual é destituído de conteúdo cognitivo e incompatível com o que a revelação apresenta. A Bíblia assume que a verdade é objetiva e passível de ser conhecida. Embora o conhecimento humano não seja absoluto, no sentido de ser exaustivo e onisciente (I Coríntios 13:9-10), é possível obter suficiente conhecimento da verdade (Deuteronômio 29:29), mediante a revelação feita por Deus, principalmente por meio de Jesus, a própria verdade (João 14:617:3, 17). [18]
A solução para avançarmos é partir da perspectiva do pensamento bíblico. [19] O que foi revelado na Bíblia e nos testemunhos de Ellen G. White deve nortear não só crenças religiosas, mas comportamento, princípios e estilo de vida. O conhecimento acadêmico deve empregar a revelação como referencial; a vestimenta e a música que escolhemos têm que se conformar aos padrões estabelecidos por Deus. Quando isso for real, cada um de nós contará com o favor do Céu, experimentando a unidade. Na mesma oração em que Jesus menciona que não somos do mundo, apesar de vivermos nele, também é revelado que o caminho para a unidade (João 17:11) é sermos santificados na verdade (v. 19), o que fará o mundo crer que Deus nos enviou (v. 21).
Nesse sentido, compensa recorrer à seguinte citação dos testemunhos: “Deus queria que Seu povo fosse disciplinado e levado à harmonia de ação, de maneira a ter o mesmo ponto de vista, e ser de um mesmo espírito, julgando da mesma forma. A fim de produzir esse estado de coisas, muito há a fazer. O coração natural deve ser submetido e transformado. É desígnio de Deus que haja sempre um vivo testemunho na igreja. Será necessário reprovar e exortar, e alguns precisarão ser incisivamente repreendidos, segundo o caso o exigir.”[20] Quando vivermos a verdade em uma cultura que a rejeitou e valorizarmos a obediência a toda a Palavra de Deus, como Paulo e Jesus (Mateus 4:4Atos 20:27, 30), isso causará profundo impacto nas pessoas à nossa volta. Santificados na verdade, venceremos!

Douglas Reis, capelão do IAP, atualmente cursa o mestrado em Teologia pela Universidade Adventista del Plata, Argentina.

Referências
1. Para uma discussão da evolução do conceito a partir de sua etimologia, ver Terry Eagleton, A Ideia de Cultura (São Paulo, SP: Editora Unesp, 2011), p. 10. (voltar)
2. David J. Hesselgrave, A Comunicação Transcultural do Evangelho (São Paulo, SP: Vida Nova, 1995), p. 217. (voltar)
3. Hilton Japiassú e Danilo Marcondes, Dicionário Básico de Filosofia (Rio de Janeiro, RJ: Jorge Zahar Editor, 2008), 5a ed., p. 238, verbete “relativismo”. (voltar)
4. D. A. Carson, Becoming conversanting with emerging church understand a movement and its implications (Grand Rapids, MI: Zondervan, 2005), p. 112. (voltar)
5. Arno Anzenbacher, Introdução à Filosofia Ocidental (Petrópolis, RJ: Vozes, 2009), p. 187. (voltar)
6. Paul Copan, “True for you but not for me”: deflating the slogans that leave Christians speechless (Bloomington, Minnesota: Bethany House Publishers, 2009), p. 11-12. (voltar)
7. Richard Rorty, Filosofia Como Política Cultural (São Paulo, SP: Martins fontes, 2009), p. 24, 25, 28, 61. (voltar)
8. D. A. Carson, The Intolerance of Tolerance (Grand Rapids, MI: Eerdmans Publishing, 2012), 1. Estrutura de plausibilidade se refere a pressupostos assumidos que legitimam processos sociais. (voltar)
9. Richard P. Lehmann, “O Remanescente no Apocalipse” em Ángel Manuel Rodríguez, Teologia do Remanescente: Uma Perspectiva Eclesiológica Adventista (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2012), p. 109. (voltar)
10. Fernando Canale, “Completando La Teología Adventista: El Proyecto Teológico Adventista Y Su Impacto En La Iglesia – Parte II”, DavarLogos (Libertador San Martín, 2007), v. 6, nº 2, p. 135. (voltar)
11. Ronald D. Bisell, “Reflections on the SDA Church as the Eschatological Remnant Church,” Asia Adventist Seminary Studies (Filipinas, 2001), v. 4, p. 74. (voltar)
12. Norman R. Gulley, Systematic Theology (Berrien Springs, Mich.: Andrews University Press, 2003), p. 433. (voltar)
13. Norman R. Gulley, “The Cosmic Controversy: World View for Theology and Life,” Journal of Adventist Theological Society (Berrien Springs, MI, 1996), ano 7, v. 2, p. 90. (voltar)
14. Alberto R. Timm, “Scripture and Experience,” Adventist Biblical Research (Silver Spring, MD, abril de 2009), 1, https://adventistbiblicalresearch.org/sites/default/files/pdf/Scripture and Experience.pdf. Acesso: 3 de fevereiro de 2014. (voltar)
15. Fernando Canale, “¿Adventismo Secular? Cómo Entender La Relación Entre Estilo de Vida Y Salvación” (Lima, Peru: Universidad Adventista Unión, 2012), p. 25. (voltar)
16. Douglas Jacobs et al., “Twenty-First Century Seventh-Day Adventist Connection Study Research Report” (Robert H. Pierson Institute of Evangelism and World Missions, 2013), 30, disponível emhttp://www.cye.org/assets/resources/icm/Research Data/Adventist Connection Survey Research Report.pdf. Acesso: 17 de novembro de 2013. (voltar)
17. Ángel Manuel Rodríguez, “Polarización Teológica: Causas Y Tendencias,” Ministerio Adventista 59, nº 350 (outubro de 2011), p. 13. (voltar)
18. Ver Douglas Reis, “Explosão Y: Adventismo, pós-modernidade e gerações emergentes” (Ivatuba, PR: IAP, 2013). (voltar)
19. Fernando Canale, “Absolute theological truth in postmodern times”, Andrews University Seminar Studies (Berrien Springs, MI: 2007), v. 45, nº 1, p. 93. (voltar)
20. Ellen G. White, Testemunhos Seletos (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1996), v. 1, p. 343, 344. (voltar)

Dinossauros eram herbívoros

Revisão de conceitos
A Bíblia fala sobre os dinossauros em vários trechos. Porém, vale lembrar que a palavra “dinossauro” não aparece na Bíblia, pois é um termo recente criado em 1841 por Sir Richard Owen a partir da junção de palavras gregas dando o significado de “lagarto terrível”. A Bíblia diz que Deus fez os dinossauros, juntamente com os outros animais terrestres, no sexto dia da semana da Criação (Gênesis 1:20-25, 31).Originalmente, antes do pecado, todos os animais, incluindo os dinossauros, eram vegetarianos. Gênesis 1:30 declara: “E a todos os animais da terra, a todas as aves dos céus e a todos os seres vivos que sobre a terra existem e se movem, igualmente dou por alimento toda a erva verde que a terra produzir; e assim aconteceu.” Portanto, de acordo com a cronologia bíblica, sabemos que os dinossauros foram criados há aproximadamente seis mil anos.[1]

E o que dizer sobre as unhas e os dentes afiados dos dinossauros? Esse argumento tem sido utilizado para inferir que eles eram carnívoros. Mas a simples presença de dentes afiados não mostra a forma como um dinossauro se comportava ou o tipo de alimento que comia. Hoje, muitos animais têm dentes afiados e são basicamente vegetarianos. O panda gigante tem dentes afiados como um carnívoro, mas come somente bambu. Espécies diferentes de morcegos comem fruta, néctar, insetos, pequenos animais e sangue, mas seus dentes não indicam claramente o que comem.

O Dr. Henry Morris afirma: “Se características como unhas e dentes afiados faziam parte do aspecto original, ou eram recessivas e só se tornaram dominantes mais tarde devido a processos de seleção, ou surgiram através de mutações depois da Maldição, ou o que for exatamente, precisam de mais investigação.”[1: p. 78]

Depois do Dilúvio (há cerca de 4.500 anos), os sobreviventes dentre os animais terrestres, incluindo possivelmente alguns dinossauros, saíram da arca e viveram na Terra, juntamente com as pessoas. Por causa do dilúvio, o ecossistema da Terra mudou bastante. Mudanças climáticas pós-diluvianas, escassez de alimento, doenças [mutações genéticas rápidas em uma mesma geração devido à ação de transpósons] e a ação do homem (caça aos dinossauros) os levaram à extinção. Note que, depois do dilúvio, Deus disse a Noé que a partir dali os animais o temeriam e o homem poderia comer da sua carne (Gênesis 9:1-7).

Sendo assim, seres humanos e dinossauros viveram juntos! É claro que a maior parte dos dinossauros era herbívora e a ciência já comprovou isso (veja isto e isto). Porém, devido à presença do pecado e à escassez de alimentos após o dilúvio, possivelmente alguns deles tenham se tornado carnívoros.

Em 1994, ao estudar fósseis de fezes de dinossauro, os cientistas foram capazes de determinar a dieta de alguns deles.[2] Em 2011, um estudo norte-americano analisou 90 espécies de dinossauros e afirmou que a maior parte deles era vegetariana (assim como sugere uma análise bíblica).[3] Em 2015, os cientistas descobriram o primeiro terópode herbívoro, como o Tyrannosaurus rex e o SantanaraptorA partir daí, a comunidade científica teve que reavaliar uma de suas premissas básicas: a de que dinossauros como oT-rex não tinham animais em seu cardápio, mas sim plantas.

Essas pesquisas contrariam a imagem que Hollywood mostra ao mundo acerca dos terópodes, dinossauros supostamente carnívoros por essência, e que causam terror ao rasgar a carne de suas presas com suas poderosas mandíbulas. Anualmente, milhões são gastos em pesquisas especulativas e que não levam a lugar algum. Muito dinheiro e tempo seriam economizados se os cientistas simplesmente folheassem um livro milenar chamado Bíblia à procura da verdade sobre a história das origens.

(Everton Fernando Alves é enfermeiro e mestre em Ciências da Saúde pela UEM; seu e-book pode ser lido aqui) via (Criacionismo)

Referências:
[1] Morris JD. The Young Earth. Green Forest, AR: Master Books, 1994.
[2] Lucas SG. Dinosaurs: The Textbook. Dubuque, IA: Wm C. Brown Publishers, 1994, p. 194-196.
[3] Zanno LE, Makovicky PJ. “Herbivorous ecomorphology and specialization patterns in theropod dinosaur evolution.” Proc Natl Acad Sci U S A. 2011; 108(1): 232-237.http://www.pnas.org/content/108/1/232
[4] Novas FE, Salgado L, Suárez M, Agnolín FL, Ezcurra MD, Chimento NR, de la Cruz R, Isasi MP, Vargas AO, Rubilar-Rogers D. “An enigmatic plant-eating theropod from the Late Jurassic period of Chile.” Nature. 2015; 522(7556):331-4.
http://www.nature.com/nature/journal/v522/n7556/full/nature14307.html

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