22 abril 2015

O HOMESCHOOLING é liberado no Brasil (Alfabetização em casa)


Explico. Segundo a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, os tratados internacionais sobre direitos
humanos devidamente ratificados pelo Congresso Nacional (antes da emenda 45) têm status supralegal. Isso quer dizer que esses tratados são hierarquicamente inferiores à Constituição (lei positiva máxima), mas superiores às demais leis. Ora, o ECA (Estatuto da Criança e Adolescente), que é uma lei ordinária, diz: “Os pais ou responsáveis têm a obrigação de matricular seus filhos ou pupilos na rede regular de ensino” (art. 55). Mas a Declaração Universal dos Direitos Humanos e a Convenção Americana dos Direitos Humanos (Pacto de São José da Costa Rica), que são tratados internacionais ratificados pelo Brasil, dizem o contrário e, portanto, prevalecem: “Os pais têm prioridade de direito na escolha do gênero de instrução que será ministrada a seus filhos” (artigo 26.3 da Declaração Universal dos Direitos Humanos); “Os pais e, quando for o caso, os tutores, têm direito a que seus filhos e pupilos recebam a educação religiosa e moral que esteja de acordo com suas próprias convicções.” (Artigo 12.4 da Convenção Americana dos Direitos Humanos).
Ambos os textos são claríssimos. Repito: esses tratados são hierarquicamente superiores ao ECA e à Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB). Com efeito, não só o ECA e a LDB, mas qualquer outra lei que impeça o homeschooling perde a eficácia, pois os tratados mencionados têm status supralegal. Portanto, juridicamente, não há nada que proíba os pais de adotar o homeschooling para os filhos. E mais: outro direito que se depreende das aludidas normas é o de rejeitar qualquer conteúdo ministrado nas escolas regulares que seja considerado impróprio pelos pais, como o famigerado kit gay, por exemplo.
Vimos que não há qualquer óbice jurídico ao homeschooling no Brasil. Sendo assim, os pais poderiam adotar o método da educação em casa desde já, sem que para isso fosse necessária qualquer mudança legislativa. Porém, a coisa é um pouco mais complicada. O problema, quase sempre, é fazer valer esse direito dos pais. Os diplomas internacionais citados, plenamente válidos e eficazes no Brasil, são ignorados até pelos juízes, que continuam a usar o ECA para forçar a matrícula das crianças. Os empecilhos são muito mais políticos, culturais e ideológicos do que jurídicos. Mas creio que nem tudo está perdido. Cabe aos pais zelosos recorrer aos tribunais contra a tirania. Quanto mais processos houver, quanto mais o tema for ventilado na imprensa, na internet e nas esquinas, maior a chance de obter resultados favoráveis. Trata-se de uma guerra cultural a ser travada, com boas possibilidades de vitória. Afinal, não deve ser difícil compreender que a educação é assunto da família e da sociedade, não de burocratas do estado.
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¹ Henrique Cunha de Lima é procurador do Ministério Público de Contas do Estado do Rio de Janeiro.

Fonte: (Terça Livre - Cultura e conhecimento)

Vaticano e ONU querem governo mundial

Papa cumprimenta secretário da ONU
A participação do secretário-geral da ONU em um próximo evento no Vaticano promovendo um movimento mundial para combater as alterações climáticas, juntamente com um documento pontifício que preconiza a criação de uma autoridade política, econômica e financeira mundial dirigida pela ONU chamou a atenção de um autor que acredita que esses desenvolvimentos apoiam as previsões de um livro seu de 2012. A conferência do Vaticano “Proteger a Terra, Dignificar a Humanidade”, de 28 de abril, que contará com a presença do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, tem como objetivo “elevar o debate sobre as dimensões morais da proteção do meio ambiente” e construir “um movimento global em todas as religiões para o desenvolvimento sustentável e as alterações climáticas”.

Thomas Horn, co-autor com Cris Putnam de Petrus Romanus: O Papa Final Está Aqui, observa que a conferência do Vaticano antecipa a encíclica do papa Francisco sobre o aquecimento global e o meio ambiente, prevista para publicação em junho ou julho.

Horn vê a tentativa do Vaticano em unir forças com as Nações Unidas sobre as questões do aquecimento global e das mudanças climáticas como prova adicional de que o Vaticano está seguindo um plano “para a estruturação de autoridades políticas e econômicas do mundo em um governo mundial centralizado”.

Ele ressalta que o cardeal Peter Turkson, chefe do Conselho Pontifício Para a Justiça e Paz, ajudou a escrever o primeiro rascunho da encíclica do papa e também escreveu um documento em 2011 em nome do Vaticano apelando ao estabelecimento de uma autoridade global para eliminar as desigualdades econômicas e redistribuir a riqueza.

Esperado para participar na conferência do Vaticano está o economista norte-americano Jeffrey Sachs, diretor do Earth Institute da Universidade de Columbia e um assessor especial do chefe da ONU para assuntos de Desenvolvimento do Milênio. Sachs também exerce o cargo de diretor da Rede de Soluções de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas.

Horn disse à WND que as pessoas “devem estar atentas e tomar conhecimento” do evento da ONU por causa do documento de 24 de outubro de 2011, do Vaticano, de autoria de Turkson, intitulado “Rumo à Reforma dos Sistemas Financeiros e Monetários Internacionais no Contexto de uma Autoridade Pública Global”.

Horn disse que o documento “acrescentou a um apelo do Vaticano para uma autoridade política, ambiental e financeira global a ser estabelecida no âmbito das Nações Unidas”.

No documento, Turkson reconheceu que “um longo caminho ainda precisa ser percorrido antes de se chegar à criação de uma autoridade pública com competência universal”.         

“Parece lógico que o processo de reforma deve prosseguir com a Organização das Nações Unidas como referência”, continuou Turkson, “por causa do alcance mundial das responsabilidades da ONU, a sua capacidade de reunir as nações do mundo, bem como a diversidade das suas funções e das suas agências especializadas.”

Turkson descreveu a visão do Vaticano do que seria um desenvolvimento econômico global eticamente aceitável. “O fruto dessas reformas deveria ser uma maior capacidade de adotar políticas e escolhas que são vinculativos, porque elas têm por objetivo alcançar o bem comum aos níveis locais, regionais e mundiais”, escreveu ele.

“Entre as políticas, as que dizem respeito à justiça social global parecem mais urgentes: políticas financeiras e monetárias que não vão prejudicar os países mais fracos; e políticas que visem à criação de mercados livres e estáveis ​​e uma distribuição justa da riqueza mundial, o que também pode derivar de formas sem precedentes de solidariedade fiscal mundial, que serão tratadas mais tarde.”

Em seu livro Petrus Romanus, Horn e Putnam disseram que a diretiva do Vaticano tenta conceber um mandato “moral” para o estabelecimento de “uma autoridade pública global” e “um banco central mundial”.

Horn, também chamou a atenção para Caritas in Veritate, ou Caridade na Verdade, a terceira e última encíclica publicada pelo papa Bento XVI antes de ter abdicado do papado, que defende uma “autoridade política mundial”.

Um dos objetivos da entidade global, disse Bento XVI, deve ser o de “gerir a economia global; reavivar economias atingidas pela crise; evitar qualquer deterioração da crise atual e os desequilíbrios maiores que daí resultariam; proporcionar um desarmamento imediato e integral, a segurança alimentar e paz; garantir a proteção do ambiente e regulamentar os fluxos migratórios”.

Bento XVI disse que “em face ao crescimento incessante da interdependência global, há uma necessidade fortemente sentida, mesmo no meio de uma recessão global, de uma reforma da Organização das Nações Unidas, e também das instituições econômicas e financeiras internacionais, de modo que o conceito da família de nações possa ser realmente concretizado”.

Em um e-mail para a WND, Horn confirmou as conclusões do “Accuracy in Media’s Cliff Kincaid” após a publicação da Caritas in Veritate, em 2009.

“Kincaid está certo em se preocupar porque o líder da Igreja Católica em todo o mundo, considerado pelos católicos o representante pessoal de Jesus Cristo, se tornou um defensor de uma das organizações mais corruptas na face da terra – as Nações Unidas”, disse Horn. “Esses desenvolvimentos têm implicações proféticas para os cristãos, que temem que uma ditadura global vai tomar o poder na terra nos últimos dias.”

(WND; tradução: Filipe Reis) via (Criacionismo)

Nota Criacionismo: Que país tem maior influência sobre a ONU? E que líder mundial tem maior respeitabilidade e crescente influência sobre a entidade? O cenário vai ficando cada vez mais interessante! [MB]

09 abril 2015

Comentário teológico da lição 3 - Quem é Jesus Cristo?


Quem é Jesus Cristo?

Pr. Gilberto Theiss

Reações diante de Jesus (Sábado e Domingo)

Notadamente a história de Jesus tem sido surpreendente por estar, especialmente, permeada de fatos sobrenaturais. É exatamente por esse motivo que ela é amada por muitos e, todavia, rejeitada por outros como sendo verídica.
Acredita-se que até o século XVIII era pouco o interesse em evidenciar os fatos que tornassem autêntico os evangelhos. Mas, com o tempo, essa realidade mudou. Assim descreve o teólogo espanhol Julián Carrón: "Desde o início, a Igreja Católica acreditou que os Evangelhos tivessem origem na figura histórica de Jesus, e sempre os considerou testemunhos de fatos acontecidos. Apesar disso, a partir do iluminismo, alguns estudiosos começaram a achar que os Evangelhos não tinham valor histórico e que era preciso encontrar outro tipo de correspondência entre eles e os fatos"[1]. Mas, embora haja céticos quanto ao fato de Jesus ter realmente existido da maneira como narram as Escrituras, é preciso reconhecer que, do ponto de vista científico historiográfico, essas narrativas bíblicas seguem fielmente todos os critérios e padrões necessários para dar sustento, embasamento e credibilidade histórica. Por exemplo, Lucas, que não era apóstolo e nem judeu, fala dos imperadores Cesar Augusto, Tibério; cita os governadores da Palestina: Pôncio Pilatos, Herodes, Filipe, Lisânias, Anás e Caifás (Lc 2,1;3,1s); Mateus e Marcos falam dos partidos políticos dos fariseus, herodianos, saduceus (Mt 22,23; Mc 3,6); João cita detalhes do Templo: a piscina de Betesda (Jo 5,2), o Lithóstrotos ou Gábala (Jo 19, 13), e muitas outras coisas reais confirmadas pela história secular.
Outro detalhe interessante é que os apóstolos e os evangelistas não podiam mentir. Eles jamais teriam inventado um Messias do tipo de Jesus: Deus-homem, crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os gregos (1Co 1:18-23). O ponto em questão é que os relatos dos Evangelhos mostram um Jesus bem diferente do modelo do Messias "libertador político" que os judeus aguardavam ansiosamente por centenas de anos. Outro fato curioso é que homens rudes da Galiléia, como demonstravam ser, não teriam condições de forjar um Jesus tão sábio, santo, inteligente, desconcertante e, acima de tudo, amável e dócil com as classes mais desfavorecidas e drasticamente rejeitadas pelos próprios judeus.
Para complicar um pouco mais, a doutrina que Jesus pregava era de difícil vivência. Aqueles que desejam atrair multidões através da venda de suas ideias nunca projetariam um herói como foi Jesus com princípios tão difíceis de serem seguidos. O romano Tácito, por exemplo, classificava o cristianismo como "desoladora superstição", e Minúcio Felix  falava de doutrina indigna dos gregos e romanos.
Alguns concluem, portanto, que a história de Jesus não passou de um mero mito. Mas será que poderia um mito ter vencido o imensurável e poderosíssimo Império Romano? Será que uma fábula poderia sustentar milhares de martírios e perseguições por centenas de anos?
Tertuliano de Cartago, no terceiro século, escreveu: "o sangue dos mártires era semente de novos cristãos"[2]. Será que um mito poderia provocar tantas conversões? Será que uma lenda poderia manter uma Igreja que começou com um pequeno grupo de 12 homens judeus e após 2000 anos ainda possuir uma estrutura tão forte, poderosa e sólida entre raças e nações diferentes?
Outro fato que corrobora para a autenticidade histórica da vida de Jesus é que os fragmentos que constroem os evangelhos, comparados com outros documentos históricos, além de serem vantajosamente em maior número, mais de cinco mil cópias, são também os escritos que mais próximos estão do Seu personagem principal. Sobre este fato escreveu Wilson Parosqui: “O elevado número de documentos existentes faz com que o NT [Novo Testamento] tenha muito mais apoio textual que qualquer outro livro nos tempos antigos, seja em se tratando das obras de Homero, dos autores trágicos áticos, de Platão, de Cícero ou de César.”[3] Por esse motivo, os documentos que retratam a existência de Jesus, sob os critérios científicos são de longe, ou deveriam ser, os mais críveis que os documentos que retratam a existência de Eurípedes,  Sófocles, Platão, Catulo, Lucrécio, Terêncio, Lívio, Virgílio e Alexandre o grande.
Para os céticos que desconfiam das Escrituras, embora não haja razão sólida para descrer, ainda temos fontes extra-bíblicas da existência de Jesus. O romano Tácito, ao descrever o incêndio de Roma por volta de 116 d.C. apresentou uma pequena informação sobre os Jesus e Seus seguidores.[4] Flávio Josefo, historiador judeu (37-95), escreveu: "Jesus, homem sábio, se é que se pode chamar homem, realizando coisas admiráveis e ensinando a todos os que quisessem inspirar-se na verdade. Não foi só seguido por muitos hebreus, como por alguns gregos, Ele era tido como o Cristo.“[5] O Talmud[6], Suetônio e Plínio[7] também contribuem como fontes não bíblicas para o embasamento histórico de Jesus.
Não há dúvidas quanto à credibilidade desses documentos e sob esta perspectiva é que podemos também sustentar as narrativas que apresentam um Jesus não apenas histórico, mas também sobrenatural. Se as narrativas, do ponto de vista científico com detalhes históricos, sociais, políticos, geográficos, estão corretas, isto nos oferta um bom motivo para crer também nos milagres de Cristo. Sob a premissa filosófica, a história confirma os fatos sobre Jesus, e Jesus fez milagres, e os milagres só podem ser feitos por Deus, logo, Jesus de fato era o Deus encarnado. Foram justamente esses feitos que deram sustento às prerrogativas de Jesus, em perdoar pecados (Lc 5:24), assumir a posição de Messias (Lc 4:16-30), e de ser na mais pura essência, o pão da vida (Jo 6:35,41,48,51);   a luz do mundo (Jo 8:12);  a porta das ovelhas (Jo 10:7,9);   o bom Pastor (Jo 10:11,14); a ressurreição e a vida (Jo 11:25);   o caminho, e a verdade e a vida (Jo 14:6) a videira verdadeira (Jo 15:1,5), e o grande “Eu Sou” (Deus) (Jo João 8:58).
No início isso não pareceu ficar claro, mas no decorrer do ministério de Jesus, como nos dias de hoje, as multidões O seguiam ou pelo interesse no perdão dos pecados ou nos Seus favores sobrenaturais.

Filho de Deus e Filho do homem (Segunda e terça)

A expressão “Filho do Homem” é apresentada no Novo Testamento cerca de 88 vezes. Essa expressão, em sentido divino, aparece em Daniel 7:13-14: "Eu estava olhando nas minhas visões da noite, e eis que vinha com as nuvens do céu um como o Filho do Homem, e dirigiu-se ao Ancião de Dias, e o fizeram chegar até ele. Foi-lhe dado domínio, e glória, e o reino, para que os povos, nações e homens de todas as línguas o servissem; o seu domínio é domínio eterno, que não passará, e o seu reino jamais será destruído."
O termo "Filho do Homem" era um título. Quando Jesus usou esse termo (Mt 26:64), Ele estava atribuindo a profecia do “Filho do Homem” de Daniel a Si mesmo. Os judeus daquela época com certeza estariam bem familiarizados com o termo e a quem se referia. Ele estava proclamando ser o Messias, o libertador divino que viria a Seu povo. Jesus parece ter unido os papéis do Servo sofredor humano e do soberano Filho do homem de Daniel 7:13, 14. Ele unificou as duas verdades de que Ele era de fato o Deus YHWH que havia se humanado para se tornar conhecido e para salvar a humanidade.
Jesus era 100% Deus (João 1:1), mas para estabelecer o plano de redenção, como Messias, Ele também havia se tornado um ser humano (João 1:14). 1 João 4:2 nos diz: "Nisto reconheceis o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus."  Ellen White descreve que “Ele devia vir como um membro da família humana, e estar como um homem perante o Céu e a Terra. Viera para tomar o lugar do homem, para penhorar-Se em lugar do homem, pagar o débito dos pecadores. Devia viver uma vida pura na Terra, e mostrar que Satanás havia dito uma mentira ao pretender que a família humana lhe pertencia para sempre, e que Deus não lhe podia tirar os homens das mãos.”[8]

O Cristo de Deus e a transfiguração (Quarta, quinta e sexta)

A confissão de Pedro é um divisor de águas a partir desse momento. Para Pedro, e consequentemente para os demais discípulos, a identidade de Jesus parece ficar mais clara. Nesse momento, a história passa de ensino e demonstração de autoridade para confissão e chamado ao discipulado[9]. Logo em seguida, Jesus explica o seu verdadeiro papel como Messias, que teria de sofrer (9:21, 22), e aqueles que aceitassem o Seu convite deveriam também passar por grandes adversidades (9:23-27). Em contraposição aos relatos de vocação (5:1-11. 27:32), a cruz é inserida no centro desse convite. Os discípulos recebem os primeiros lampejos do verdadeiro significado de Ele ser o Cristo, e das tribulações advindas deste conceito. A expressão “o Cristo” era justificada em sua prerrogativa divina e em Seus atos sobrenaturais, mas este sentido também deixava claro a definição do “discipulado”[10]. Jesus foi enfático ao afirmar: “se alguém quer ser meu seguidor, que esqueça os seus próprios interesses, esteja pronto cada dia para morrer como eu vou morrer e me acompanhe. Pois quem põe os seus próprios interesses em primeiro lugar nunca terá a vida verdadeira; mas quem esquece a si mesmo por minha causa terá a vida verdadeira.” (v. 23-25).[11]
Jesus não esteve se referindo às vicissitudes da vida, mas do compromisso diário com o reino de Deus e o chamado ao discipulado. Talvez o martírio ainda estivesse em foco, mas a lealdade diária ao mestre e a seu modo de vida. Pelo menos deve ter sido essa a compreensão inicial dos apóstolos. Sendo este o foco ou não, o que sabemos é que, mais tarde, o martírio seria o resultado final de todo o comprometimento inicial. O discipulado faria dos passos de Jesus em Seu sofrimento, perseguição e morte, os passos dos discípulos e de muitos outros que O seguissem ao longo da história.
A transfiguração de Jesus foi mais um episódio de confirmação divina da divindade de Cristo e de seu caminho até a cruz.[12] Novamente, a exemplo da oração de Jesus em Seu batismo, Lucas foi o único que registrou como Jesus esteve orando no momento da transfiguração. O escritor, provavelmente, desejava mostrar como os olhos dos discípulos se abriram ao contemplar aquela cena gloriosa. Sua aparência e suas vestes adquiriram forma cheia de resplendor jamais visto. Também puderam contemplar a presença viva daquele que havia morrido, porém ressuscitado e daquele que havia sido transladado ao Céu sem ver a morte. Moisés é o exemplo daqueles que descem a sepultura, todavia, serão resgatados dela na manhã da ressurreição (Jo 11:24; Jo 5:28, 29; Dn 12:1,2; I Ts 4:16, 17), enquanto que Elias se torna o exemplo dos fiéis da última geração, que virão da grande tribulação e que não verão a morte (I Ts 4:17; Ap 7:13, 14; 14:1-5). Segundo alguns comentaristas, em consonância com Isaías 8:20 e Mateus 5:17, Moisés também representava no monte da transfiguração a lei de Deus, a Torá, enquanto que Elias representava os profetas, os testemunhos.[13] Eles falaram com Jesus sobre a sua partida (do grego êxodos), isto é, de sua morte e ressurreição, confirmando assim o que Jesus havia profetizado no verso 22.[14] No entanto, o mais importante nesse ocorrido estava na nuvem, de onde surgiu a voz de Deus falando as palavras uma vez proferidas no batismo de Jesus (3:22), mas dessa vez se dirigindo aos discípulos. Nesta ocasião “Os discípulos contemplaram com temor e espanto a excelente majestade de Jesus e a nuvem que os cobriu e ouviram a voz de Deus com terrível majestade, dizendo: ‘Este é o Meu Filho, o Escolhido; ouçam-no’”.[15]

Gilberto Theiss é formado em Teologia pelo Seminário Adventista Latino-Americano de Teologia, com Especialização em Filosofia pela Universidade Cândido Mendes. Atualmente é pastor no estado do Ceará pela Associação Costa Norte da Igreja Adventista do Sétimo Dia.

REFERÊNCIAS

[1]BOSCOV, Isabela, Revista veja online. Disponível em: < http://veja.abril.com.br/151204/p_102.html > acesso em 06-04-2015.
[2] KAPELINSKI, Igor. A Bíblia é Verdadeira? São Paulo: Clube de Autores, 2009. P. 159.
[3] PAROSQUI, Wilson. Crítica textual do Novo Testamento, p. 19.
[4] Ver Anais XV,44
[5] Ver Antiguidades Judaicas, XVIII, 63a.
[6] Ver Tratado Sanhedrin 43a do Talmud da Babilônia.
[7] Ver Epístolas, I.X 96.
[8] WHITE, Ellen G. Para Conhecê-Lo [MM 1965], São Paulo, Tatuí. Casa Publicadora Brasileira, 1965. P. 26.
[9] CARSON, D. A. Comentário Bíblico Vida Nova. São Paulo:  Vida Nova, 2009. P. 633.
[10] BROWN, R. E.; FITZMYER, J. A.; MURPHY, R. E. (Ed.) Novo Comentário Bíblico São Jerônimo: Novo Testamento e artigos Sistemáticos. Santo André: Academia Cristã, 2011. P. 266
[11] Nova Tradução na Linguagem de Hoje. São Paulo: Sociedade Bíblica do brasil, 2008. P. 1043.
[12] BROWN, R. E.; FITZMYER, J. A.; MURPHY, R. E. (Ed.) Novo Comentário Bíblico São Jerônimo: Novo Testamento e artigos Sistemáticos. Santo André: Academia Cristã, 2011. P. 266
[13] CARSON, D. A. Comentário Bíblico Vida Nova. São Paulo:  Vida Nova, 2009. P. 1499.
[14] Ibd.
[15] WHITE, Ellen G. Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia, v. 5, P. 1261, 1262; Ver Primeiros Escritos, p. 162-164.

04 abril 2015

Você desfaria de um fusca para ter um corola?

Comentário teológico da lição 2 - O batismo e as tentações

O BATISMO E AS TENTAÇÕES
 Pr. Gilberto Theiss

Preparai o caminho do Senhor (Sábado e Domingo)

Lucas tem o relato mais abrangente do ministério de João encontrado nos Evangelhos sinópticos (Sinópticos por fazerem síntese sincronizada e detalhada da vida de Cristo). Também relata com mais detalhes as advertências de João aos seus ouvintes, acrescenta uma nota de urgência ao fazer menção da proximidade do reino de Deus (3:2), e descreve, em senso de urgência, a mensagem apocalíptica de que o tempo é curto, pois o “machado já está posto à raiz das árvores” (3:9)[1]. A mensagem vinha de encontro, com insistência, à necessidade de escapar do juízo vindouro, o arrependimento evidenciado pela conduta transformada e a responsabilidade de ajudar os menos afortunados. Os frutos dignos aparecem apenas em Lucas. O arrependimento genuíno se mostrará na vida diária – em bondade, generosidade e honestidade. Aos soldados foi dito: “Não pratiquem extorsão; não acusem ninguém falsamente; contentem-se com o seu salário”.[2]
Como já amplamente comentado, João era o profeta que prepararia o caminho do Messias. A mensagem de arrependimento deveria seguir-se de uma demonstração pública para que a comunidade pudesse ter uma evidência perceptiva das mudanças de mentalidade que, supostamente, condicionariam as pessoas a uma nova vida. Nova vida, nas declarações de João Batista, atestava um estilo de conduta enraizado em princípios de justiça revelados excepcionalmente nas Escrituras Sagradas[3]. As palavras de João indicavam o caminho que conduzia os pecadores à remissão de seus pecados. Remissão, do grego aphesis, “libertação” ou “perdão”, significa literalmente “mandar embora” ou “uma demissão”[4]. Remissão era consequência do arrependimento, confissão e perdão que, na prática de João, deveria ser também apresentada publicamente através do batismo.
Batismo, derivado da palavra grega baptisma, denota a ação de lavar ou mergulhar na água[5]. A ação é simples, porém, consiste em entrar dentro ou debaixo da água. Essa prática permaneceu na idade média e foi defendida pelos reformadores como o melhor significado para morte e ressurreição[6].
Mediante o batismo, João, além da necessidade de demonstração pública de arrependimento, tinha por objetivo a preparação do povo para vinda do Messias. Importante compreender que o batismo era apenas um rito externo que indicava as mudanças de assentamento interno que, inclusive, eram necessárias para o selamento do Espírito Santo e a revelação do reino de Deus. No batismo, os arrependidos poderiam unir-se ao Messias na semelhança da Sua morte (Rm 6:5), e crucificados com Ele (Gl 2:20). Isto significa que o velho homem, no exemplo do próprio Messias, deveria ser morto, sepultado e ressuscitado para uma nova vida[7]. Embora o batismo seja um ato simples, é necessário que todos batizantes sejam orientados quanto ao profundo significado espiritual que esse ato revela na vida do novo converso. A entronização de Jesus na esfera terrena, rebaixado ao pó para ser humilhado, ofendido, rejeitado e morto com o objetivo de conceder perdão e remissão, são algumas das prerrogativas que constroem os alicerces do verdadeiro valor de ser batizado. Portanto, não deve ser encarado apenas como um mero dia de festa para ser fotografado e inserido em um lindo quadro. O batismo deve ser valorizado e lembrado como um verdadeiro dia de morte para o mundo e ressurreição para Cristo. “Quando Cristo Se apresentou a João para o batismo, Satanás estava entre as testemunhas desse evento. Ele viu os relâmpagos saírem do céu sem nuvens. Ouviu a majestosa voz de Yahweh que ressoava por todo o Céu e ecoava na Terra como trovões anunciando: ‘Este é Meu Filho amado, em quem Me comprazo.’ [...] Ele soube então com certeza que, a menos que pudesse vencer a Cristo, seu poder, daí em diante, seria derrotado”.[8] Satanás se esforçou para destruir o ministério de João Batista ao perceber que ele havia recebido do Céu a missão de preparar o “caminho do Senhor” e  “endireitar as suas veredas” (Mt 3:3). Satanás temia pelo reino de Cristo que se materializaria através do ministério do filho de Zacarias. O anjo caído “sentiu que a voz, soando no deserto como som de trombeta, levava pecadores sobre o seu controle a tremer. Viu que o seu poder sobre muitos estava quebrado.”[9] Ele “conhecia bem a posição que Cristo tinha ocupado no Céu como Filho de Deus, o Amado do Pai; e ficou apreensivo com o fato de Cristo deixar o Céu e vir a este mundo como homem. Sabia que esta condescendência da parte do Filho de Deus não era para ele um bom presságio.”[10]

“Tu és o Meu Filho amado” (Segunda)

Dois fatos são importantes na revelação de Jesus em Seu batismo. O primeiro tem a ver com a unção do Espírito Santo habilitando-o para a obra que precisava desempenhar como o Messias prometido (Is 61:1; Lc 4:18). O segundo tem a ver com a voz do Pai confirmando o papel de Jesus como Filho de Deus (Gn 22:2; Sl 2:7) e servo (Is 42:1).[11]
Uma vez que o batismo era para remissão dos pecados, indagações são feitas ao levar em consideração a ausência de pecado em Jesus e Sua necessidade de ser batizado.  Além do cumprimento profético, e por carregar sobre Si os nossos pecados, Jesus evidencia na prática o quanto o batismo está repleto de significado espiritual no plano da redenção, pois foi justamente em Seu batismo que o poder do Espírito e Sua filiação divina foram concedidos de maneira especial.
Esse exemplo denota um significado ainda maior para todos os que forem, após arrependimento e confissão, batizados como Jesus foi. Em outras palavras, é no batismo que se confirma nossa filiação a Deus e, mediante o poder do Espírito, a concessão de dons para desempenhar uma obra especial nesta terra. Sob esta perspectiva, ao receber o perdão e um poder especial, nossa “conduta deve deixar de ser descuidosa e indiferente.[12]” Nessa aliança devemos estar mortos para o mundo e viver para a glória do Senhor, dedicando-Lhe todas as faculdades das dispomos. Devemos entregar a Deus tudo quanto somos e o que possuímos, usando todos os nossos dons para a glória de Seu nome.[13] Satanás compreendeu bem a estratégia divina e a voz vinda do céu lhe foi amedrontadora. Quando ele “ouviu a voz de Deus Se dirigindo a Seu Filho, isso lhe foi como o som de um dobre fúnebre. Revelou a ele que Deus estava prestes a unir o ser humano mais intimamente a Si e a lhe dar poder moral para vencer a tentação e escapar dos embaraços das armadilhas satânicas.”[14]
Outra curiosidade que merece destaque é que, embora os demais evangelhos façam menção do batismo de Jesus, Lucas foi o único que frisou a Sua oração no momento de Seu batismo.[15] O escritor talvez estivesse interessado em relevar o ministério intercessor do Messias que havia se iniciado e terminado com oração[16] (Ver Lc 3:21; 23:34, 46). Esse fato deixa evidente da maneira como deve ser o ministério concedido a todos os que são chamados para uma obra especial. O nosso chamado, feito por Deus, desde o seu início, deve ser caracterizado e vigorado com as marcas da oração incessante. Ellen White destaca que é “necessário passar-se muito tempo em oração particular, em íntima comunhão com Deus. Unicamente assim se podem obter vitórias. Eterna vigilância, eis o preço da segurança.”[17]

“Não só de pão” (Terça)

            O Príncipe do Céu havia confrontado o grande rebelde no Céu, provavelmente, quando a Terra ainda era apenas um abismo (Ap 12:7-9; II Pe 2:4; Gn 2:2). Agora, no deserto, após 40 dias de cansaço e fome (Mt 4:2, 3), o reencontro foi marcado, não por uma acirrada batalha de espadas e poder, mas pelo conflito das Bíblias. Jesus confrontou as distorções da Palavra de Deus feitas por Satanás disfarçado de ser angelical. Foi uma verdadeira guerra das Bíblias que não cessou ali o deserto, mas permaneceu em todas as gerações posteriores. “Quando Jesus entrou no deserto, estava rodeado pela glória do Pai e, quando a glória partiu, Ele foi deixado sozinho para lutar com a tentação.[18]
            Mateus e Lucas descrevem a primeira tentação de forma similar, mas o mesmo não é visto na demais tentações. Lucas não se preocupa com a geografia do lugar em que os “reinos do mundo” podiam ser observados; a glória e a autoridade oferecidas a Jesus ganham preeminência[19]. Não há dúvidas de que o grande alvo de Satanás era inserir dúvidas quanto a identidade de Jesus em relação ao Seu Pai. Essa tentativa de minar sua confiança não era muito diferente da abordagem da serpente no Éden: “É assim que Deus disse?” (Gn 3:1). O conflito entre a fome e o desejo de sacia-la fez da situação um alvo em potencial para Satanás levar o Filho de Deus a fracassar em Seu propósito. “Cristo estava sofrendo as mais fortes ânsias da fome, e essa tentação foi muito severa. Ele precisava começar a obra da redenção exatamente onde começara a ruína.[20]” Não era pecado para Jesus saciar a fome, mas seria pecado fazer uso de Seu poder em benefício próprio. Em suma, Satanás estava sugerindo que as necessidades corporais de Jesus eram mais importantes do que a experiência espiritual que conduzi-lo-ia a um caráter sólido (Rm 5:3). No entanto, o Filho de Deus respondeu enfaticamente citando o princípio vitalício de que a vida de uma pessoa não depende da satisfação própria em detrimento das necessidades alheias. O diabo fez uma sugestão muito atraente, mas Cristo a recusou porque, segundo Ele, ia contra a Escritura.[21] Ellen White a este respeito declara que “com esse longo jejum inseriu-se em Sua experiência uma força e poder que só Deus podia dar. Ele enfrentou e repeliu o inimigo na força de um "Assim diz o Senhor". "Não só de pão viverá o homem - disse Ele - mas de toda palavra que procede da boca de Deus." Mat. 4:4. É o privilégio de todos os tentados da Terra ter essa força.”[22] A Palavra de Deus deve ser soberana, total e absoluta em nossas vidas, pois é através dEla que nos alimentamos da folha da árvore da vida[23].
            Duvidar da Palavra de Deus tem sido a grande estratégia do diabo desde o Céu. Em nossos dias temos enfrentado um tsunami de teorias especulativas que visam diluir as bases da interpretação bíblica baseada no sola scriptura. A mais recente teoria, difundida, mesmo por grades teólogos, visa sobrelevar a cultura em detrimento do “Assim diz o Senhor”. A culturalização da Escritura é uma estratégia antiga, mas que criou forte musculatura filosófica no meio cristão atual. Todavia, é importante jamais esquecer que a Bíblia está acima da cultura e do tempo. A relevância de Suas mensagens é o “sim ou o não”. Em outras palavras, a relevância sempre foi sua verdade e nada menos ou mais do que isso. Por fim, quando Jesus vier, Ele também julgará a cultura, o secularismo e o relativismo humano (Is 5:20).

Se... me adorares” (Quarta)

Pelas narrativas dos evangelistas, especialmente de Lucas, é possível inferir que Satanás tentou enganar a Cristo quando apareceu no deserto disfarçado de ser angelical. Foi a sua expressão de dúvida “se Tu és o Filho” que o desmascarou. Certamente um anjo enviado do Céu jamais teria dúvidas quanto a filiação divina de Jesus.[24]
O engano desempenha um papel importante na tentação satânica. A estratégia do diabo nunca é afrontar diretamente os mandamentos probatórios de Deus e as penas advindas da transgressão. Ao invés disso, primariamente, ele semeia dúvida e discórdia para, por fim, estabelecer os primórdios da rebelião. Assim ele fez com Eva levando-a a acreditar que o Criador estava negando-lhe um direito benéfico. Desta forma, Deus é interpretado como sendo tolo e injusto[25]. Na tentação a Jó vemos o mesmo princípio, todavia, na perspectiva de que Jó era inegavelmente justo e bom para ser severamente castigado. Embora a mentira seja na mais pura essência uma clara mentira, temos que convir que ela funciona. Funcionou no Céu, funcionou no Éden e tem funcionado em nossos dias. O princípio utilizado pelo mestre dos enganos é que ele exibe a mentira sempre revestida de um caráter aparentemente justo, bom e compensador. Como exemplo deste engodo, ele “apresentou diante de Jesus os reinos do mundo sob o mais atraente aspecto,”[26] e “citou uma promessa de Deus como garantia de que Cristo poderia fazer isso a salvo, no poder daquela promessa.”[27]
Na tentação descrita por Lucas Satanás foi ousado ao oferecer a Cristo os reinos da Terra. Seu atrevimento justifica-se na queda de Adão que o levou descaradamente a denominar-se o príncipe deste mundo.[28] Mais ousado ainda foi a sua prerrogativa de ser adorado. Nenhuma afronta é mais aborrecível a Deus do que a transferência a outro o reconhecimento de Sua soberania e majestade.[29] A contrafação na adoração deriva de um ávido esforço de Satanás em obter para si aquilo que pertence unicamente a Deus (Lc 4:8).
Desde a queda de Lúcifer no Céu nenhum tempo seria tão austeramente marcado de disputas e contrafações adorativas quanto o tempo do fim. A figura da besta (Ap 13:4, 15-17), apresentada por João, evidencia uma guerra cósmica travada na Terra nos dias finais da história humana. “No próprio ato de impor um dever religioso por meio do poder secular, formariam as igrejas mesmas uma imagem à besta; daí a obrigatoriedade da guarda do domingo nos Estados Unidos equivaler a impor a adoração à besta e à sua imagem.”[30]
É importante compreender que a adoração voltada para qualquer coisa, ou ser, fora da divindade, é nada menos do que adorar o pai da mentira e da contrafação. De forma severa, na ânsia em ser adorado, Satanás se indispõe também contra aqueles que procuram representar o caráter de Cristo. Ellen White declara que “a inimizade de Satanás para com Cristo manifestou-se contra os seus seguidores. [...] No grande conflito final, como em todas as eras anteriores, Satanás empregará os mesmos expedientes, manifestará o mesmo espírito, e trabalhará para o mesmo fim. [...] Se possível fora, transviaria os escolhidos. (Mar. 13:22.)”[31] Não há dúvidas de que o ápice de seu engodo para ser adorado se dará quando ele vier disfarçado de Cristo, pois quando este fato se consolidar “Ser-nos-á ordenado adorar esse ser, a quem o mundo glorificará como Cristo.”[32]

“Cristo, o Vencedor” (Quinta e Sexta)

A maneira como Satanás lançou suas tentações sobre Cristo nos mostra como de fato se configura sua principal estratégia para enredar o mundo. Ele faz uso da própria Escritura interpretando-a falsamente, no entanto, da maneira mais aprazível e aparentemente permeada de brilho celeste.[33]
É fenomenal observar como há tantos professos cristãos sendo enganados por esta aparente luz. Eles usam a Bíblia para defender suas posições essencialmente culturais destruindo de maneira imperceptível os alicerces da interpretação que sustenta a autoridade exclusiva da Escritura. Justamente por dividir a responsabilidade da inspiração com a cultura é que tem levado muitos a fundar inúmeras igrejas com milhares de crenças diferentes umas das outras. Quando menosprezamos, mesmo que seja apenas uma pequena parte da Sua autoridade exclusiva, a mensagem da Escritura ficará a mercê de uma interpretação relativa à visão individual do interprete ou ao capricho do que se tornou comum e usual na cultura ou na tradição. Mas, como bem frisado por Paulo, “Toda a Escritura é inspirada por Deus” (II Tm 3:16), e que não devemos ir “além do que está escrito” (I Co 4:6). Pedro também foi enfático ao afirmar que a Escritura deve ser a sua própria intérprete (II Pe 2:19-21), e, em consonância com o profeta Isaías, declara que a “Palavra do Senhor permanece eternamente” (I Pe 1:25; Isaías 40:8). Salomão declarou com muita autoridade que da Palavra de Deus “nada se lhe deve acrescentar, e nada se lhe deve tirar” (Ec 3:14). Curioso notar que quando uma citação é repetida várias vezes isto pode indicar a necessidade de consideração especial. Isso se enquadra perfeitamente nesta citação de Salomão (ver também Dt 4:2; 12:32). Os profetas, Jesus e os discípulos se preocuparam em predizer que a Palavra de Deus é eterna e suas verdades possuem infalibilidade, ou seja, não podem ser alteradas e nem subjugadas pelo secularismo e relativismo humano (Is 5:20-21; Ez 44:23; Ec 3:14; Ml 3:6; Tg 1:17; Sl 89:34; Nm 23:19). Se Deus disse que Sua palavra é eterna, podemos confiar? Se Deus disse que ela é autoridade suprema, podemos confiar? Se Deus disse que Sua Palavra está acima do multiculturalismo transpondo o tempo, podemos confiar? Estas perguntas nos parecem tolas, mas não são, pois embora nosso método de interpretação seja sola e tota scriptura, esta base, por conta da influência da alta crítica, do relativismo, feminismo e retórica da relevância teológica, tem sofrido severos ataques, mesmo dentro da própria igreja. A mensagem da Bíblia já é relevante por si. Na verdade, é o único ensinamento verdadeiramente relevante para o nosso tempo.
Como visto, foi desta forma que Satanás tentou derrotar a Jesus no deserto, através do uso indiscriminado, porém, inconsequente da Escritura. Ele usou erroneamente a Palavra de Deus no Éden, interpretou equivocadamente no deserto com Cristo, e continua fazendo uso distorcido da mensagem bíblica para afastar as pessoas da verdade ou diluir as marcas que as tornam em verdadeiros adoradores. Assim como Jesus, devemos confrontar o erro com a verdade expressando com autoridade as palavras de Jesus “Está Escrito”. Ellen White declara que “cada um de nós será severamente tentado; nossa fé será em extremo provada. Precisamos ter viva ligação com Deus; importa sermos participantes da natureza divina; então, não seremos enganados pelos ardis do inimigo, e escaparemos à corrupção que está no mundo mediante a concupiscência.”[34] Ela também afirma que Satanás usará todos “aqueles que não têm estado a beber das águas vivas, cuja alma está sedenta de novidades e coisas estranhas, e que estão sempre prontos a beber de qualquer fonte que se apresente,” e que devemos, à exemplo de Jesus, sempre defender com “Está Escrito”. Assim ela esclarece que “o homem é falível, mas a Palavra de Deus é infalível. Em vez de lutar uns com os outros, exaltem os homens ao Senhor. Defrontemos toda oposição, como o fez o Mestre, dizendo: "Está escrito." Ergamos o estandarte no qual está escrito: A Bíblia, nossa regra de fé e disciplina.”[35] Jesus venceu o inimigo e esta é a garantia de nossa vitória hoje. Sua vida de perfeita obediência e pureza, nos garante poder e graça para vencer os ardis de Satanás. Mas, infelizmente, “quando se permite a Satanás moldar a vontade, ele a usa para realizar seus fins. Instiga teorias de incredulidade e incita o coração humano a guerrear contra a Palavra de Deus.”[36] Neste contexto é que temos uma verdadeira batalha, uma batalha entre Bíblias.

Gilberto Theiss é formado em Teologia pelo Seminário Adventista Latino-Americano de Teologia, com Especialização em Filosofia pela Universidade Cândido Mendes. Atualmente é pastor no estado do Ceará pela Associação Costa Norte da Igreja Adventista do Sétimo Dia.

REFERÊNCIAS



[1] BRUCE, F. F. (Org.) Comentário Bíblico NVI. São Paulo: Vida, 2008. p. 1650.
[2] ALEXANDER, Pat e David (Ed.). Manual Bíblico SBB. São Paulo:  Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. P. 601.
[3] NICHOL, Francis D.; DORNELES, Vanderlei. Comentário Bíblico Adventista: do Sétimo Dia Mateus a João. Tatuí - SP: Casa Publicadora Brasileira, 2013. v. 5. P. 788.
[4] Ibid.
[5] ELWELL, W. A. (Ed.) Enciclopédia Histórico Teológica da Igreja Cristã. São Paulo: Vida Vida, 2009. P. 148.
[6] Ibid. p. 149
[7] LESSA, R. S. (Ed.) Nisto Cremos: 27 ensinos bíblicos dos adventistas do sétimo dia. São Paulo: CPB, 2003. P. 255.
[8] WHITE, Ellen G. apud NICHOL, Francis D.; DORNELES, Vanderlei. Comentário Bíblico Adventista: do Sétimo Dia Mateus a João. Tatuí - SP: Casa Publicadora Brasileira, 2013. v. 5. P. 1200.
[9] ________. No deserto da tentação. 2. ed. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 1994. P. 34, 35.
[10] NICHOL, Francis D.; DORNELES, Vanderlei. Comentário Bíblico Adventista: do Sétimo Dia Mateus a João. Tatuí - SP: Casa Publicadora Brasileira, 2013. v. 5. P. 1201.
[11] CARSON, D. A. Comentário Bíblico Vida Nova. São Paulo:  Vida Nova, 2009. P. 1484.
[12] WHITE, Ellen G. Testemunhos para a igreja. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 2006. v. 6. P. 98, 99.
[13] Ibid.
[14] NICHOL, Francis D.; DORNELES, Vanderlei. Comentário Bíblico Adventista: do Sétimo Dia Mateus a João. Tatuí - SP: Casa Publicadora Brasileira, 2013. v. 5. P. 1201.
[15] BRUCE, F. F. (Org.) Comentário Bíblico NVI. São Paulo: Vida, 2008. P. 1651.
[16] BROWN, R. E.; FITZMYER, J. A.; MURPHY, R. E. (Ed.) Novo Comentário Bíblico São Jerônimo: Novo Testamento e artigos Sistemáticos. Santo André: Academia Cristã, 2011. P. 240.
[17] WHITE, Ellen G. Conselhos aos professores, pais e estudantes. 5. ed. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 2007. P. 257, 258.
[18] ________. O desejado de todas as nações. 22. ed. Santo André - SP: Casa Publicadora Brasileira, 2010. P. 118.
[19] ALEXANDER, Pat e David (Ed.). Manual Bíblico SBB. São Paulo:  Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. P. 601.
[20] WHITE, Ellen G. Mensagens escolhidas. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 1987. v. 3. P. 128.
[21] CARSON, D. A. Comentário Bíblico Vida Nova. São Paulo:  Vida Nova, 2009. P. 1485.
[22] WHITE, Ellen G.. Mensagens escolhidas. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 1987. v. 3. P. 128
[23] Ibid. p. 219
[24] ________. O desejado de todas as nações. 22. ed. Santo André - SP: Casa Publicadora Brasileira, 2010. P. 118.
[25] ELWELL, W. A. (Ed.) Enciclopédia Histórico Teológica da Igreja Cristã. São Paulo: Vida Vida, 2009. P. 444, 445.
[26] WHITE, Ellen G. Primeiros escritos. 6. Ed. Tatuí – SP: Casa Publicadora Brasileira, 1999. P. 157.
[27] ________. Testemunhos para a Igreja. 1. Ed. Tatuí – SP: Casa Publicadora Brasileira, 2006. V.3. P. 482, 483.
[28] WHITE, Ellen G. O desejado de todas as nações. 22. ed. Santo André - SP: Casa Publicadora Brasileira, 2010. P. 114.
[29] ELWELL, W. A. (Ed.) Enciclopédia Histórico Teológica da Igreja Cristã. São Paulo: Vida Vida, 2009. P. 20.
[30] WHITE, Ellen G. O grande conflito. 6. ed. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 1995. P. 445.
[31] Ibid. p.7
[32] WHITE, Ellen G. Eventos finais. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 1996. P. 165.
[33] _________. Mente, caráter e personalidade: guia para a saúde mental e espiritual. 5. ed. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 2010. 1 v. P. 25.
[34] ________.   Mensagens escolhidas. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 1987. v. 2. P. 50.
[35] Id. V. 1, p. 416.
[36] __________. Mensagens aos jovens. 13. ed. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 2004. P. 54.

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